Quando somos pequeninos tudo é muito simples: é preto ou branco. Não existem os conceitos do “entre-linhas” e do “cinzento”, o que facilita muito a percepção do dia-a-dia e das próprias pessoas. E ninguém nos diz o contrário, porque somos crianças e ainda não estamos preparados para compreender... Até nos bonecos animados e nos livros de histórias de encantar existem os bons e os maus.
Depois crescemos para perceber que afinal aqueles personagens nem sempre são tão bons nem tão maus como pareciam. Percebemos que as pessoas são falíveis, “humanas”, e que a vida tem sempre muito que se diga.
Mas eu cresci até aos meus 32 anos para perceber que afinal tinha razão quando criança. Afinal existem pessoas simplesmente boas e pessoas simplesmente más. Boas e más para mim, para outras pessoas não sei.
Bons, são aqueles que me fazem bem simplesmente por existirem. O seu carácter bom não deixa secar as suas almas nem gelar os seus corações, e estão sempre a aprender. São os meus amigos, a minha família, e mesmo aquelas pessoas estranhas que, durante um olhar, um gesto, transmitem grandeza de alma e companheirismo...
Tenho que por defeito somos todos “bons”. Mas existem na minha vida pessoas más, ainda que muito poucas, mas más. Fazem-me mal, sabem que o fazem, não se incomodam de o fazer e não tentam deixar de o fazer... Se lhes é indiferente ou sentem prazer nisso, não sei. Mas têm o terrível hábito de fingir perante si e todos, que não o fazem. E contudo continuam...
A verdade é que para haver histórias de encantar, além de fadas, príncipes e princesas, têm de existir, inevitavelmente, bruxas más, dragões e vilões...
Jul 21, 2008
Histórias de Encantar
Jul 12, 2008
Outro mundo
Quando era miúda não perdia um episódio do “Sport Billy”, um personagem dos bonecos animados que eu achava fantástico. Era um rapaz destemido, que enfrentava os terríveis vilões nas mais incríveis aventuras. O que me fascinava mesmo era a sua bolsa. Dela, o meu herói podia tirar tudo o que podemos imaginar... desde uma bola de futebol a um automóvel!
Hoje, ao recordar aqueles episódios, o que me impressiona mesmo é que ele nunca tirava algo que não precisasse desesperadamente naquele momento. E era quase sempre algo para salvar o mundo.
Se eu tivesse uma bolsa daquelas faria de certo o mesmo, e ajudaria os meus semelhantes, mas fechava a minha conta no banco, vendia o meu carro e deixava de ir ao supermercado. E quando estivesse farta, tirava uma bolsa igual, traçava-a ao ombro e atrirava-me lá para dentro!
Jun 30, 2008
Ornitologia
Gosto mais do “mais vale só do que mal acompanhado” do que “mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”. Não quero a minha mão suja com cócós, quero que esse passarinho tenha um bom controle do seu esfíncter, o que não se pode pedir a um passarinho... por isso prefiro vê-lo a voar, num bando de preferência, que fica mais bonito.
Isto significa portanto que com a idade tornei-me mais chata, mas, como estou segura das minhas exigências, até dou aquele ar de mulher moderna que sabe o quer e que niguém se atreve a questionar. Pode ser que me safe, e me dêm o que quero, até porque isto de ser teimosa é perigoso e não quero chegar á velhice a tentar apanhar um dos passarinhos que está a voar e convencê-lo a usar fralda...
Jun 25, 2008
Amor
Hoje atravessei a ponte 25 de Abril duas vezes. De ambas as vezes, assim como de todas as outras vezes que a atravessei, lembrei-me do meu pai.
Tinha cerca de nove anos e o meu pai conduzia-me pelas ruas de Lisboa quando pedi que atravessássemos a ponte. Nascida e crescida na Ilha da Madeira, tinha o desejo de atravessar um rio e sentir-me em cima de uma ponte, de uma grande ponte. Como não fazia parte do itinerário, que me era alheio e indiferente, foi-me gentilmente negado.
Recostei-me no assento, triste, mas conformada. Os adultos sabiam sempre o que era certo, restava-me apenas aceitá-lo. Entretanto mergulhei no meu mundo de criança, cheio de pensamentos e de fantasias, sem dar pelo tempo passar, esquecendo inclusive onde estava e para onde ia.
Quando dei por mim estava sobre um grande rio, em cima de uma grande ponte... A minha alegria foi explosiva, e lembro-me de dar pulinhos no banco de trás daquele carro, que não me lembro qual era, naquela dia, que não tenho a certeza qual foi. Mas lembro-me de olhar para o meu pai e de amá-lo como nunca, mais do que aquele rio e mais do que aquela grande ponte.
Obrigada papá.
Jun 17, 2008
Dos ditados...

Jun 12, 2008
Que fazes que não danças?
Durante a minha infância ouvi vezes sem conta a minha avó dizer: “ Que fazes que não danças? Cansas ou não tens par?”.
Tenho pensado muito nisso ultimamente... Par não tenho. Devo pois estar muito cansada. E nem trabalho as 65 horas máximas semanais que a União Europeia permite, o que quereria dizer que entraria às 7h no trabalho e largaria às 19h, com a sorte de poder folgar ao Domingo... E nem tenho de andar a pé porque ainda tenho a reserva do depósito do carro cheia, embora não haja combustível em Lisboa, e ainda posso optar pelos transportes públicos, embora não os haja até o sítio onde trabalho. Por isso não sei porque estou cansada, aliás estou com muita energia, até porque pulei muito quando Portugal ganhou o jogo e nem me lembrei do combustível nem dos transportes públicos que não tenho.
Adoro Portugal, porque ganha os jogos de futebol.
(escrito durante a greve dos camionistas)
A minha próxima vida
Na minha próxima vida quero vivê-la de trás para a frente. Começar morto para despachar logo esse assunto. Depois acordar num lar de idosos e sentir-me melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a pensão e começar a trabalhar, receber logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos até ser novo o suficiente para gozar a reforma. Divertir-me, embebedar-me e ser de uma forma geral promíscuo, e depois estar pronto para o liceu. Em seguida a primária, fica-se criança e brinca-se. Não temos responsabilidades e ficamos um bébé até nascermos. Por fim, passamos 9 meses a flutuar num spa de luxo com aquecimento central, serviço de quartos à descrição e um quarto maior de dia para dia e depois Voilá! Acaba como um orgasmo! I rest my case.
Woody Allen
Jan 25, 2008
Pai Natal
- ... !
(Falhou-me o pormenor de dizer-lhe que o Pai Natal só atende aos pedidos se forem feitos na presença de um adulto... É que somos uma espécie de fiadores...)
- Eu também sou um bocadinho surda mamã....
- Pois, já tinha reparado...